Ao longo dos nove primeiros meses do ano, o superávit acumulado da balança comercial atingiu o valor de US$ 71,309 bilhões, também o maior resultado para esse período desde 1989. Desde agosto, o saldo positivo acumulado já supera o superávit comercial recorde de todo o ano passado, que foi de US$ 61,525 bilhões.
Em relação ao mês de setembro, houve um aumento nas exportações e uma queda nas importações. O Brasil exportou US$ 28,431 bilhões, representando um crescimento de 4,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Já as importações somaram US$ 19,527 bilhões, uma queda de 17,6%.
O setor agropecuário foi um dos destaques nas exportações, impulsionado pela safra recorde de grãos. Houve um aumento de 41,7% no volume de mercadorias exportadas em setembro, enquanto o preço médio caiu 17,2%. Já na indústria de transformação, a quantidade exportada caiu 8,5% e o preço médio recuou 2,6%. Na indústria extrativa, que inclui a exportação de minérios e petróleo, a quantidade exportada aumentou 20,6%, mas os preços médios caíram 9,6%.
Dentre os produtos exportados pelo setor agropecuário, destacam-se os animais vivos (exceto pescados ou crustáceos) com um aumento de 560,4%, a soja com um aumento de 38,4% e o milho não moído (exceto milho doce) com aumento de 16,1%. Apesar da queda nos preços médios, o volume de embarques de soja aumentou 67,8% devido à safra recorde.
Na indústria extrativa, registrou-se um aumento nas exportações de minérios de cobre e concentrados de 58,5% e de petróleo bruto de 18,7%. Já o ferro teve um aumento no valor exportado de 3,6%. Por outro lado, na indústria de transformação, houve uma queda nas exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (-23,7%), celulose (-20,4%) e gorduras e óleos vegetais (-50,4%). A crise econômica na Argentina, principal destino das manufaturas brasileiras, também contribuiu para o recuo nas exportações dessa categoria.
No que diz respeito às importações, houve uma queda nos seguintes produtos: milho não moído (-50%), látex e borracha natural (-48,4%) e trigo e centeio (-26,3%) no setor agropecuário; gás natural (-68,1%), carvão não aglomerado (-38,2%) e óleos brutos de petróleo (-31,5%) na indústria extrativa; e compostos organo-inorgânicos (-48,5%) e adubos ou fertilizantes químicos (-36,3%) na indústria de transformação.
Apesar da queda nos preços das commodities, o governo revisou levemente para cima a projeção de superávit comercial para 2023. Agora, a expectativa é de um saldo positivo de US$ 93 bilhões, contra a projeção anterior de US$ 84,7 bilhões feita em julho. O MDIC prevê que as exportações fiquem estáveis em 2023, atingindo o valor de US$ 334,2 bilhões, e que as importações recuem 11,5%, totalizando US$ 241,1 bilhões.
Essas previsões são mais otimistas do que as do mercado financeiro, que projeta um superávit de US$ 72,1 bilhões para este ano, de acordo com a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central.









