O crime chocou a todos e gerou uma grande repercussão. Autoridades locais, como o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e o ex-presidente Lula, se manifestaram repudiando o ocorrido. Além disso, a Conaq (Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos) homenageou Mãe Bernadete, enfatizando sua dedicação incansável à cultura e história do povo quilombola.
Mãe Bernadete era uma liderança influente não apenas em seu quilombo, mas em todo o país. Ela ocupava o cargo de coordenadora nacional da Conaq e também era reconhecida como ialorixá, devido ao seu papel materno na comunidade. Vale ressaltar que o título de ialorixá é atribuído aos adeptos do candomblé que já cumpriram o período de iniciação.
O crime ocorreu dentro do terreiro de candomblé que Mãe Bernadete comandava na cidade de Simões Filho, região metropolitana de Salvador. O território do quilombo Pitanga dos Palmares ainda não possui a titulação de terra, mesmo após seu reconhecimento pelo Incra em 2017. Essa falta de titulação tem gerado disputas territoriais e coloca em risco a segurança dos quilombolas.
As investigações sobre o caso estão em andamento. De acordo com informações iniciais, dois homens usando capacetes invadiram o local e efetuaram vários disparos contra Mãe Bernadete. A Polícia Federal também está envolvida no caso e está apurando se há alguma relação entre esse crime e o assassinato do filho da líder quilombola, que até o momento segue sem solução.
Mãe Bernadete já havia denunciado ameaças de fazendeiros em relação à disputa territorial do quilombo Pitanga dos Palmares. Ela vivia sob constante ameaça e até mesmo relatou em um encontro com a presidente do Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber, que se sentia vigiada e pressionada. Infelizmente, essas ameaças se concretizaram de forma trágica.
A comunidade quilombola está abalada e com medo. Muitos temem que outros líderes sejam alvos de violência, como afirmou Jurandir Wellington Pacífico, filho de Mãe Bernadete, que ainda ressaltou que a área do quilombo é alvo de especulação imobiliária e disputas políticas.
Diante dessa triste realidade, é fundamental que haja um aprofundamento nas investigações e que sejam tomadas medidas efetivas para garantir a segurança e os direitos dos quilombolas. O crime contra Mãe Bernadete deve servir como um alerta para a urgência de se combater a violência e a discriminação sofrida por essas comunidades, além de defender o direito à titulação de suas terras ancestrais. Somente assim será possível honrar o legado de luta e resistência de Mãe Bernadete e de tantos outros líderes quilombolas que dedicaram suas vidas à causa.








