O novo advogado de Mauro Cid afirma que militar agiu sob ordem ilegal ao cumprir ação.

O advogado criminalista Cezar Roberto Bittencourt assumiu a defesa do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, e afirmou que seu cliente é um “grande injustiçado” nas investigações da Polícia Federal sobre um esquema de venda ilegal de joias recebidas pela Presidência em viagens oficiais no exterior. Bittencourt alega que militares como Cid cumprem “ordens ilegais e injustas” dos superiores devido à “obediência hierárquica” que é exigida na corporação.

Em uma entrevista à GloboNews, o advogado ressaltou a gravidade da obediência hierárquica para os militares, destacando que é esse princípio que isenta a responsabilidade individual em casos de ordens ilegais ou injustas. No entanto, ele ressaltou que não se deve cumprir ordens criminosas. Ao ser questionado sobre a consciência de Cid em relação aos crimes cometidos, Bittencourt afirmou que essa é uma questão de foro íntimo que ainda será avaliada.

A Polícia Federal apontou Cid como um dos responsáveis por organizar o esquema ilegal. Conversas obtidas pelos investigadores demonstram que o ex-ajudante de ordens tinha dúvidas sobre a venda das joias recebidas por Bolsonaro. De acordo com a PF, as peças deveriam ter sido incorporadas ao acervo da União, mas foram omitidas dos órgãos públicos, incorporadas ao estoque pessoal do ex-presidente e negociadas para fins de enriquecimento ilícito.

O contrato entre Cid e Bittencourt foi fechado na noite de terça-feira, após o renúncia do advogado Bernardo Fenelon, que era responsável pela defesa do tenente-coronel. Esta é a segunda troca de advogados desde que Cid se tornou alvo das investigações da PF.

Cezar Roberto Bittencourt é um destacado professor de Direito Penal e advogado experiente. Em 2017, ele defendeu o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures, acusado de intermediar o repasse de R$ 500 mil em uma mala supostamente enviada por delatores da JBS para o ex-presidente Michel Temer. Além disso, Bittencourt já se manifestou publicamente contra o uso da delação premiada, considerando-a um instrumento antiético.

Ainda não está claro como a defesa de Cid irá se desenrolar com a entrada de Bittencourt. O advogado ainda não teve acesso ao inquérito e não se encontrou com seu cliente. O processo continua em andamento e novos desdobramentos podem surgir nos próximos dias. A defesa buscará garantir os direitos de Cid e esclarecer todos os fatos relacionados ao caso.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo