Em uma entrevista à GloboNews, o advogado ressaltou a gravidade da obediência hierárquica para os militares, destacando que é esse princípio que isenta a responsabilidade individual em casos de ordens ilegais ou injustas. No entanto, ele ressaltou que não se deve cumprir ordens criminosas. Ao ser questionado sobre a consciência de Cid em relação aos crimes cometidos, Bittencourt afirmou que essa é uma questão de foro íntimo que ainda será avaliada.
A Polícia Federal apontou Cid como um dos responsáveis por organizar o esquema ilegal. Conversas obtidas pelos investigadores demonstram que o ex-ajudante de ordens tinha dúvidas sobre a venda das joias recebidas por Bolsonaro. De acordo com a PF, as peças deveriam ter sido incorporadas ao acervo da União, mas foram omitidas dos órgãos públicos, incorporadas ao estoque pessoal do ex-presidente e negociadas para fins de enriquecimento ilícito.
O contrato entre Cid e Bittencourt foi fechado na noite de terça-feira, após o renúncia do advogado Bernardo Fenelon, que era responsável pela defesa do tenente-coronel. Esta é a segunda troca de advogados desde que Cid se tornou alvo das investigações da PF.
Cezar Roberto Bittencourt é um destacado professor de Direito Penal e advogado experiente. Em 2017, ele defendeu o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures, acusado de intermediar o repasse de R$ 500 mil em uma mala supostamente enviada por delatores da JBS para o ex-presidente Michel Temer. Além disso, Bittencourt já se manifestou publicamente contra o uso da delação premiada, considerando-a um instrumento antiético.
Ainda não está claro como a defesa de Cid irá se desenrolar com a entrada de Bittencourt. O advogado ainda não teve acesso ao inquérito e não se encontrou com seu cliente. O processo continua em andamento e novos desdobramentos podem surgir nos próximos dias. A defesa buscará garantir os direitos de Cid e esclarecer todos os fatos relacionados ao caso.








