UFRRJ divulga cronograma de debates sobre reserva de vagas para pessoas trans e travestis nos cursos de graduação em proposta de minuta para regulamentação.

A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) divulgou o seu cronograma de debates sobre a reserva de vagas para pessoas trans e travestis nos cursos de graduação. A reitoria apresentou, nesta segunda-feira (12), uma minuta com normas para regular as ações afirmativas voltadas para esse segmento social. O prazo para envio de sugestões para o documento é até o dia 31 de agosto, por meio de um formulário disponibilizado.

De acordo com as pró-reitorias de Graduação e de Assuntos Estudantis, a implementação de cotas visa garantir o acesso à universidade, bem como ampliar a diversidade e a representatividade de pessoas transexuais e travestis no ambiente acadêmico. Entre as normas propostas está a reserva de 3% das vagas de graduação por curso e turno, em cada período letivo.

A proposta prevê que os candidatos realizem o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e se inscrevam por meio de autodeclaração. Além disso, os aprovados deverão apresentar no ato da matrícula um documento de identidade com o nome social ou certidão de nascimento retificada, além de comprovar a conclusão do ensino médio em escola pública.

Para assegurar a veracidade das autodeclarações, a Comissão Permanente de Política Institucional pela Diversidade, Gênero, Etnia/Raça e Inclusão (CPID) será responsável por aprovar ou reprovar os casos, sendo compostas por pessoas com conhecimento na temática. A UFRRJ ressalta que, em casos de fraude, a matrícula do estudante será cancelada.

A universidade define transexuais e travestis como indivíduos cujas identidades de gênero não se enquadram na norma social binária, cisheteronormativa. Caso aprovada, a UFRRJ será a primeira instituição do estado do Rio de Janeiro a adotar a reserva de vagas para pessoas trans e travestis, seguindo o exemplo de outras 14 universidades públicas brasileiras que já possuem políticas de ação afirmativa na graduação.

O processo de discussão sobre as cotas teve início em 2021, com a criação da Comissão Permanente da Política Institucional pela Diversidade, Gênero, Etnia/Raça e Inclusão (CPID). Ações contra o sexismo, a LGBTIfobia e o racismo foram mais frequentes e contaram com a participação da comunidade universitária. Em 25 de setembro de 2023, foi aprovada, juntamente com o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), a expansão das cotas na pós-graduação, incluindo pessoas trans, quilombolas e refugiadas.

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